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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Aécio : "Dilma quebra contratos de forma autoritária"





Aécio Neves critica intervenção do governo federal no setor elétrico



Por Raquel Ulhôa | Valor

BRASÍLIA -

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) afirmou hoje, da tribuna do Senado, que a presidente Dilma Rousseff está fazendo uma “profunda intervenção no setor elétrico a pretexto da diminuição do custo da conta de luz” e considerou “um risco, uma imprudência, um desatino” querer reduzir o preço da energia “à custa da insolvência do setor”.

Aécio apontou “risco da judicialização” e “gravíssima instabilidade no setor”, em consequência da medida provisória que dá prazo até esta terça-feira para que as empresas façam a opção pela renovação antecipada, em troca da redução de preço.

Para o senador, marcar a data final para assinatura dos contratos antes da aprovação da MP, sem conhecer o texto final, “é uma usurpação” por parte do governo, de uma responsabilidade constitucional do Congresso.

“Mais uma vez, sem diálogo, sem dividir as preocupações com os Estados responsáveis por várias das companhias que mais vêm investindo, seja em geração, em transmissão ou em distribuição, sem qualquer diálogo, sem compartilhar preocupações, o governo federal, na verdade, a pretexto da diminuição do custo da conta de luz, faz uma profunda intervenção no setor elétrico”, disse.

Para ele, está havendo “autoritarismo” e “açodamento” do governo, que quer aprovar a MP com “rolo compressor”, o que considerou “desconsideração” para com as prerrogativas do Congresso.

Aécio criticou o fato de o anúncio da medida ter sido feito às vésperas das eleições municipais e disse que o PT, nos últimos dez anos, não se preocupou em reduzir os impostos federais que oneram a conta de luz dos brasileiros.

Um dia após ser lançado candidato do PSDB a presidente da República pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o senador apontou sugestões - algumas adotadas por governadores do seu Estado, segundo ele -, para redução do preço da energia.

“Se o governo federal viesse no caminho dos Estados governados pelo PSDB e por outros partidos, porque essas isenções não são exclusividade do PSDB – elas ocorrem de forma diferenciada em vários Estados brasileiros –, se viesse no mesmo caminho, por exemplo, retirando a cobrança de PIS/Cofins sobre a conta de luz, a economia seria de alguma coisa em torno de 5%. Se, por exemplo, buscasse cancelar pelo menos metade, 50%, da taxa de fiscalização da Aneel, que é cobrada e não é repassada à Aneel – ela fica no Tesouro para a construção do superávit primário do País –, se houvesse, portanto, a supressão desse encargo, por si só nós teríamos aí, talvez, mais 1% de redução na conta de luz.”

Citou, ainda, como outros caminhos para reduzir o custo da energia, a diminuição dos encargos do Programa de Eficiência Energética ou do Programa de Pesquisa e Desenvolvimento. “Esses são caminhos naturais e claros para quem quer, efetivamente, fazer um esforço para diminuir a incidência de impostos na conta de luz”, disse o senador.

Segundo ele, se o governo quiser, de fato, diminuir a conta de luz, deveria “cortar na própria carne, não agindo como faz costumeiramente com o chapéu alheio, quando dá medidas de incentivo de IPI ou de Imposto de Renda a determinados setores da economia, punindo Municípios e Estados”.

Ex-governador de Minas Gerais, Aécio afirmou que o Estado é o que proporciona às famílias de mais baixa renda a maior das isenções, onde os moradores que consomem até 90 megawatts de energia são isentos do pagamento de ICMS na conta de luz. “Isso significa que metade das famílias mineiras, há cerca de dez anos ou mais, já não pagam absolutamente nenhum imposto estadual incidente sobre a conta de luz, restando cerca de outros dez ou doze encargos federais a agravar o preço dessa conta”.

Para Aécio, está havendo descumprimento de contrato no caso de empresas que teriam direito a uma renovação automática não onerosa pelos próximos 20 anos. É o caso das três usinas da Cemig, que decidiram não aderir à medida. “Isso [o descumprimento do contrato] afeta não apenas a credibilidade do setor energético, mas também já se reflete como uma recomendação negativa das principais agências de crédito em relação à aquisição de papéis de outros setores, como o setor petrolífero, dada exatamente a incerteza que passa a pairar em relação ao não cumprimento de contratos assinados.”

(Raquel Ulhôa | Valor)

Blog : Drops Misto

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Aécio cobra de Dilma mais discussão sobre o setor elétrico nacional


Fonte: Folha de S.Paulo online
Link: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/aecioneves/1184038-energia.shtml

Energia – Coluna de Aécio Neves

Aécio Neves

12/11/2012 - 03h30

Ninguém questiona a necessidade de redução do custo da energia elétrica no Brasil. Mas já sabemos que a MP 579 vai muito além disso, alterando o marco regulatório do setor elétrico brasileiro. Como aponta o ex-ministro João Camilo Penna, o governo teria outras formas mais diretas para diminuir o valor das contas de luz pagas pelos consumidores, como uma maior redução de impostos. O caminho escolhido é complexo e, por isso, merece ser debatido com cautela, sem arroubos de intolerância.

Não é justo com o país reduzir medidas com desdobramentos tão amplos a um falso maniqueísmo que tenta colocar, de um lado, os que querem baixar o valor da conta de luz e, do outro, apresentar os que propõem o debate como meros defensores de interesses das empresas do setor.

Mais uma vez, pontua-se a forma desrespeitosa com que o Planalto trata o Congresso, ao fixar prazos que impedem a correta discussão do tema no Parlamento, alijando-o da sua legítima participação em decisão dessa envergadura.

Segundo especialistas, a MP 579 traz conteúdo que ignora a necessidade de expansão do setor elétrico, afugentando investidores e descapitalizando perigosamente as concessionárias. Ninguém sabe onde buscar os recursos para o acréscimo de 5 a 7 mil MW a cada ano necessários ao crescimento da economia.

Hoje o país está ameaçado de viver uma crise de abastecimento que poderia ser evitada se pudéssemos contar com mais 3,3 mil MW, caso as termoelétricas, vencedoras dos leilões de 2005, estivessem aptas a entrar em operação, mas esses projetos ou foram cancelados ou estão atrasados.

Considerando essas usinas canceladas e outras previstas para entrar em operação nos próximos anos, cujos projetos foram abandonados, temos quase 6 mil MW de redução na expansão esperada de geração, causando uma enorme incerteza quanto ao atendimento do mercado futuro.

A energia produzida por parques eólicos no Nordeste é uma alternativa com a qual ainda não podemos contar, pois as linhas de transmissão que deveriam conectá-la ao sistema não foram concluídas pelo governo federal. Essa falta de planejamento provocou o aumento do custo no mercado de curto prazo. No inicio do ano, o custo da energia no mercado livre era R$ 12,20 e agora chega a R$ 400,00.

Insisto: o tema é complexo e deve ser amplamente discutido também para que não seja aberto um precedente em relação à credibilidade dos marcos regulatórios no país.

Nos últimos anos o governo não deu atenção ao ponto mais importante para reduzir o custo da energia: um planejamento capaz de garantir a ampliação da oferta. E, como dizia o ex-presidente Juscelino Kubitscheck, "energia cara é aquela que não existe".

AÉCIO NEVES escreve às segundas-feiras nesta coluna.

Aécio Neves é senador pelo PSDB-MG. Foi governador de Minas Gerais entre 2003 e 2010. É formado em economia pela PUC-MG. Escreve às segundas-feiras na página A2 da versão impressa.